
Chegou a Hora
No Maracanã.
Um dos desafios da imprensa esportiva nesse campeonato de pontos corridos é atrair a atenção dos torcedores desde o início. São 38 rodadas, o que significa que cada jogo vale apenas 3 pontos em 114 disputados ao longo do campeonato. Só neste ano o Flamengo deve ter jogado uns 10 “jogos decisivos” que de decisão só tinham o marketing. Valiam 3 pontos igualzinho a todos os outros, tanto que o rubro-negro perdeu vários deles e está aí, lutando pelo título.
Agora, porém chegou o “ponto de não-retorno”. Faltam 6 jogos, 18 pontos, o Fla está a 3 pontos do líder Grêmio. Joga em casa contra um adversário teoricamente fácil (a Portuguesa). Se perder ou empatar sai da briga pelo título. Claro, matematicamente ainda não estará fora mas mesmo que o Grêmio perca para o Figueirense (improvável) dificilmente terá moral para seguir adiante,
Mas o que é preocupante não é o adversário, nem mesmo a situação complicada da tabela. O problema é que esse time vem seguindo uma constante desde o início do ano, a de decepcionar a nação sempre que ela se entusiasma com a equipe. Foi assim no fatídico jogo contra o América do México. Foi assim contra o São Paulo no Morumbi, em que a torcida invadiu Sampa e ocupou mais de 1/3 do Morumbi. E, claro, foi assim contra o Galo no Maracanã. Essa então tinha tudo para ser uma tarde de gala: adversário fraco, Maracanã lotado, sábado de sol. Aquele jogo valia muito mais do que 3 pontos, o que estava em jogo era a reconciliação da nação com o time, fraturada desde o desastre da Libertadores. A faixa “o brasileiro é obrigação” colocada em todos os jogos no Maracanã é uma lembrança constante dessa ferida que ainda não cicatrizou. E o time, mais uma vez desperdiçou a chance de se redimir com a torcida.
Agora, no entanto, não há mais saída. A nação com certeza estará em peso hoje no maraca, ainda que um tanto ressabiada. Poderia falar muito sobre tática, técnica, jogadores mas quem conhece o Flamengo sabe que isso é o que menos importa nessa hora. Nas grandes decisões o que move o rubro-negro é a superação, a mística da camisa que tantas vezes fez o clube triunfar sobre adversários tecnicamente superiores.
O desafio do time do Caio Jr. não é jogar melhor que a Portuguesa, Grêmio ou Palmeiras. É mostrar de uma vez por todas que está a altura dessa mística, dessa história. Mostrar que são capazes de incorporar o espírito rubro-negro. Quem tem freqüentado o maracanã nos últimos tempos sabe esse espírito vem assombrando o estádio. Resta saber se o time é capaz de recebê-lo, de matar a pau com base na mística na paixão, como fizeram todos os grandes times da história do Flamengo. A conferir.



